O filme Demon Slayer: Castelo Infinito chegou com grandes expectativas e, como já é tradição do estúdio Ufotable, a qualidade da animação impressiona do início ao fim. As batalhas são vibrantes, cheias de detalhes técnicos, e a trilha sonora amplifica cada golpe. Ainda assim, um ponto que divide opiniões é se Shinobu merecia mais? Uma Hashira carismática e estratégica que, na visão de muitos fãs, não recebeu a despedida grandiosa que merecia.
Primeiras impressões:
O filme privilegia ritmo e impacto visual. Além disso, a trilha e o som reforçam cada golpe. Isso cria sequências que funcionam bem em tela grande. Porém, ao concentrar atenção em determinadas batalhas, o longa deixa menos espaço para cenas dramáticas de alguns personagens.
Shinobu vs Doma — luta, história breve e final rápido
Shinobu ataca Doma usando seu rol de venenos e estratégias baseadas em conhecimento químico — ela nunca teve força bruta, mas compensou com engenhosidade. Doma, no entanto, demonstra imunidade parcial. O filme mostra trechos do passado dela para contextualizar a luta. Mas após ela aplicar seu golpe final e não conseguir eliminar Doma, ele abraça ela e a esmaga e posteriormente a absorve. Nesse instante, Kanao chega e presencia o momento.
A cena é intensa, porém rápida. Embora o peso do sacrifício seja mostrado nos próximos filmes, poderia dedicar mais tempo de tela, para ter uma despedida prolongada e mais emocional.
Zenitsu vs Kaigaku — feitos técnicos e fechamento de arco
Essa luta fecha um ciclo pessoal. Kaigaku, que traiu seus ideais e tornou-se uma lua superior, enfrenta Zenitsu num confronto carregado de ressentimento e história. Essa batalha é curta, mas eficaz. Zenitsu que só sabia fazer a Primeira forma, cria a Sétima Forma: Deus Flamejante do Trovão (Honoikazuchi no Kami). Com isso, ele surpreende e decapita Kaigaku.
Narrativamente, a luta encerra um ciclo pessoal. Zenitsu, antes visto como covarde, conquista reconhecimento. Visualmente, a cena aposta em velocidade e choque. Portanto, o momento funciona como um golpe concentrado de emoção e técnica. Para muitos, é um dos maiores feitos do filme.
Tanjiro e Tomioka vs Akaza — tensão, técnica e desfecho moral
A luta entre Tanjiro e Giyu Tomioka contra Akaza domina o filme. Primeiro, Giyu pressiona e mantém o combate. Logo depois, Tanjiro acelera o confronto ao acessar o “nível superior” e entrar no modo translucido(Transparent World / Selfless State). Esse estado amplia sua percepção e possibilita golpes decisivos.
Akaza sofre dano físico, mas o ponto mais forte da cena é emocional. Ao recuperar fragmentos de sua vida passada, ele demonstra remorso. Então, em vez de apenas sucumbir ao corte, Akaza escolhe um fim que mistura culpa e redenção. Assim, a vitória dos caçadores ganha um peso ambíguo: há alívio, mas também tristeza.
Essa solução narrativa funciona porque evita celebrar a morte do inimigo. Em vez disso, o filme transforma a queda de Akaza numa cena sobre perda humana. Consequentemente, o público sai dividido entre alegria pela vitória e pesar pela história revelada do antagonista.
Reação dos fãs – “Shinobu merecia mais?”
O público reagiu dividido. Muitos elogiam a coreografia das lutas e os arrebatamentos visuais. Outros, especialmente fãs de Shinobu, sentiram que a personagem merecia mais presença em cena. Essa divisão alimenta discussões que provavelmente manterão o interesse na franquia. Além disso, a forma como algumas mortes foram tratadas abre espaço para que a história explore as consequências adiante.
Na minha opinião, a escolha de dar foco maior a Tanjiro e a Zenitsu realça o caráter espetacular do filme. Isso favorece cenas de batalha que funcionam muito bem no cinema. Porém, ao priorizar espetáculo, o longa acabou comprimindo momentos que pediam mais tempo dramático.
Além disso, entendo que a morte da Shinobu cumpre papel narrativo imediato. Ainda assim, creio que a execução empobreceu o efeito emocional. Uma cena mais longa e com reação dos aliados teria elevado a despedida a algo verdadeiramente memorável.
Conclusão: vale a ida ao cinema?
Sim. Castelo Infinito entrega sequências de ação que justificam a experiência em tela grande. Tanjiro e Zenitsu têm payoffs fortes. No entanto, se você busca uma despedida extensa e emotiva para Shinobu, o filme pode frustrar. No fim, a obra equilibra espetáculo e narrativa, mas nem sempre com a mesma justiça a todos os personagens.
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